Por Dora Ramos ![]()
É . Parece que de repente o castelo que fora construído está todo no chão. O que fazer? Será que era mesmo um castelo?? E agora, como reconstruir a vida? De onde começar?
Talvez esta seja a pergunta mais difícil de ser respondida.
A separação é algo que nunca passa pelas nossas mentes quando nos casamos cheios de sonhos. Na verdade, ninguém se casa pensando em se separar. Todos sabemos disso.
Mas, quando o dia chega e com tantas dores, é necessário encará-las de corpo e alma. Muitas pessoas não conseguem e por isto vivem de um relacionamento para outro, de uma procura para outra, de uma entrega para outra. Uma busca sem fim, andando em círculo e na verdade sem caminhar um passo à frente.
Por mais opaco que seja o momento, e que não se vislumbre nenhuma esperança, e quando também vergonha e culpa estão por todo o lugar, é a hora de parar tudo. Parar para olhar para dentro. Não com olhar de vítimas ou de merecedores do que se passa. Não. Um olhar que talvez há tempos não tenhamos dirigido à nossa alma.
Não é momento de porquês.
É tempo de identificar-se. Quem éramos quando nos casamos com aquela pessoa? O que queríamos da vida?? Quais as expectativas frustradas ??? Onde ficou o "eu"????? Sim, porque muitas pessoas, ao passar por um casamento sofrido, perdem por completo a identidade, não sabem mais o que são, do que gostam e que sonhos tiveram um dia na vida.
Essas foram algumas das perguntas que me fiz naqueles dias difíceis. Mas, quando parti em busca de respostas, entendi que não poderia consegui-las sozinha. Por isso decidi que precisava conhecer a Presença de Deus na minha vida para aquela situação. "Ao meu coração me ocorre: buscai a minha presença"(Salmo 27:8) Este se tornou o meu alvo. Mergulhei na Palavra de Deus procurando conhecê-Lo de novo. Queria a Sua Presença! Sabia, no fundo do coração, que não poderia responsabilizá-lo pelo que acontecera. Pelo sonho de menina que ao longo dos anos fora se desmanchando. Estava tudo no chão.
Presença de Deus. Custe o que custar! Era o que queria. Os amigos de perto, por mais que se solidarizassem, não alcançavam a minha dor. Estava sempre só. E assim deveria enfrentar tudo. No entanto, com o passar dos dias, com uma busca disciplinada através de estudo da Bíblia e oração (mesmo quando não tinha o que dizer ao Senhor) meu coração começou a experimentar, de maneira lenta , mas concreta, o prazer de estar na Presença do Senhor. O que é busca disciplinada?? Entendo que é algo que não se deixa levar por urgências do cotidiano. Muitas vezes o urgente toma o lugar do que é prioritário na vida. E quando percebemos, já não temos tempo para o que é realmente essencial e que gera vida.
As respostas que, aos poucos, fui encontrando trouxeram-me paz. Consegui ver quais foram as verdadeiras motivações que dirigiram o meu coração nos tempos de namoro e noivado; percebi e concordei que a Palavra de Deus tem razão quando insiste: " Filho meu, ouve o ensino de teu pai, e não deixes a instrução de tua mãe... ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao teu pescoço.... e não escutei a voz dos que me ensinavam..." (Provérbios 1:8; 6:21; 5:13). Compreendi os porquês de ter, voluntariamente, (ora, ninguém me obrigou a nada!) feito o casamento que fiz, e se tornou óbvio que não poderia haver colheita diferente das sementes que haviam sido plantadas.
Normalmente os familiares e amigos procuram identificar os culpados pelo fim de um casamento. Ele ou ela?? Tenho convicção de que ambos são culpados. "Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?" (Amós 3:3- Pode até não ter havido uma avaliação da qualidade do acordo). Mas não importam os fatos concretos ou as razões que levaram a eles. Ambos são responsáveis pelas escolhas que fizeram no dia-a-dia.
E foi libertador assumir diante do Senhor a responsabilidade pelas escolhas do passado. Tamanha foi a paz diante do perdão recebido. Tenho convicção de que agrada a Deus quando assumimos quem somos e o que fazemos. E mais,quando reconhecemos que as instruções deixadas por Ele na Palavra são a verdade a que precisávamos ter dado mais atenção.
Muitas pessoas, quando se separam, estão tão preocupadas em culpar uma situação ou alguém que se esquecem de olhar para dentro de si mesmas e recomeçar uma nova vida a partir daquele lugar e na Presença do Senhor Jesus. Ora, será difícil entender que Ele esteja sempre pronto a nos mostrar o caminho em que devamos andar?? Ou talvez a pergunta seja: queremos mesmo andar no caminho do Senhor ? Devemos nos lembrar de que os Caminhos dEle são mais altos que os nossos.
(Isaías 55:8) E talvez demande esforço, empenho, busca, renúncias de conceitos e preconceitos para que a Palavra de Deus molde sonhos, desejos, projetos, emoções, mente e coração.
Dessa maneira considero as seguintes atitudes como passos iniciais a um bom recomeço, lembrando-nos sempre de que cada um de nós deve percorrer o caminho, através de Jesus, até o trono da Graça a fim de receber Graça e Misericórdia para o socorro de que precisa:
- Quatro perguntas que podem ser somente as primeiras:
- Quem era o (a).................................... quando conheceu a (o)...................?
- Quais eram as motivações que estavam no meu coração naquela época?
- Por que eu escolhi o (a)..................... para me casar com ela (ele)?
- O que eu estava buscando na vida que pensei que talvez ela ( ele ) pudesse me dar?
As respostas nos ajudarão a assumir responsabilidades, criando uma situação que seja um canal aberto para a confissão e ao perdão restaurador de Deus.
- Busca da Palavra de Deus
- Debrucei-me sobre a Bíblia para encher o coração da Palavra de Deus e assim tirar os sentimentos de culpa e vergonha do foco principal, colocando na mente a Palavra daquele que é Fiel. Decidi buscar no livro de Salmos a resposta para a pergunta: Quem é o meu Deus e o que Ele quer fazer por mim? E ao mesmo tempo comecei a ler Provérbios. Queria orientações práticas para o dia-a-dia. Passei a desejar sabedoria, entendimento, compreensão( Prov. 2: 2-5) de todas as realidades ao redor, para tomar as decisões que agradassem a Deus. A sua palavra é sempre clara. Ela não traz confusão à nossa mente.
- Livros que edificam
- Adquiri dois livros que ajudaram no processo de compreender-me:
- Culpa e Graça - Paul Tournier - ABU Editora : que fala das falsas culpas que pesam sobre nós e também da culpa real que é preciso ser encarada, mas através da cruz de Jesus.
- Auto-estima - Nathaniel Branden - Editora Saraiva - O autor propõe exercícios práticos para ajudar a identificar situações dolorosas já vividas, mas que ainda provocam sofrimento. A separação deixa um sentimento de frustração enorme e, às vezes, a auto-estima acaba debaixo da lata de lixo.
Ainda estou no caminho. A soberania de Deus se faz sempre presente mostrando que Ele pode transformar fatos dolorosos em outros geradores de vida. E isto é essencial. É prioridade. A Presença de Jesus, buscar sua presença, não tomar nenhuma decisão sem ter convicção da vontade do Senhor para cada dia. Lembrar-se sempre de que, na maioria das vezes, há crianças envolvidas em toda esta confusão criada por nós mesmos e que elas precisam de amor, disciplina bíblica, carinho, afeto, atenção. E, se não buscarmos na Fonte Eterna, o que há em nós logo se esgotará. O desgaste emocional, as irritações, o estresse não precisarão de muito tempo para controlar o que sobrou.
Se colocarmos a sobra nas mãos do Senhor, Ele dará nova vida, e fará coisas que olhos ainda não viram, nem ouvidos ouviram, por aqueles que descansam, e enquanto descansam, esperam Nele.
É um momento ótimo para deixar crescer a dependência do Senhor e a confiança nEle. Basta esperar a primeira chuva. Salmo 84:6.